Gil de Roca Sales | Obras do compositor e arranjador gaúcho Gil de Roca Sales Obras do compositor e arranjador gaúcho

Acervo

“Ora (direis) ouvir estrelas! Certo,
Perdeste o senso!” E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muitas vezes desperto
E abro as janelas, pálido de espanto…

E conversamos toda a noite,
enquanto a Via-Láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: “Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo? ”

E eu vos direi: “Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas”.

A rosa, rainha das flores, sempre será vaidosa
Enquanto a maravilhosa orquídea
É, por certo, entre todas, a mais humana das flores
Pois só nasce e vive abraçada em outra planta, seja qual for
Haverá mais belo símbolo de humildade e de amor?

As composições nasceram de uma brincadeira levada a sério. Assim: foi com o “Mapa”, notável poema onde o imaginário de Quintana descreve sua encantada Porto Alegre. Várias vezes tentei dizê-la para mim – em minhas caminhadas, gosto de lembrar poesias que, desde os meus 15 anos, um dia me tocaram – como não lograsse decorá-la, fiz-lhe uma melodia e, em pouco tempo, memorizei letra e música. Da melodia surgiu a harmonia e, de um poema, nasceu a idéia de 12 composições para um concerto a Mario Quintana no seu aniversário (30/07/92). Assim se fez, ele ainda vivo, embora já não pudesse estar presente no concerto.